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CBC - Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Journal of the Brazilian College of Surgeons

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Ano 2017 - Volume 44 Número 3
Maio / Junho

Editorial

1 - A cirurgia e a internet

Surgery and the internet

Felipe Carvalho Victer, TCBC-RJ

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):220-221

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Artigo Original

2 - Preditores de mortalidade em pacientes com fratura de pelve por trauma contuso

Mortality predictors in patients with pelvic fractures from blunt trauma

Wagner Oséas Corrêa; Vinícius Guilherme Rocha Batista; Erisvaldo Ferreira Cavalcante Júnior; Michael Pereira Fernandes; Rafael Fortes; Gabriela Zamunaro Lopes Ruiz; Carla Jorge Machado; Mario Pastore Neto

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):222-230

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OBJETIVO: analisar a associação de mortalidade com variáveis sociodemográficas, clínicas, lesões e complicações em pacientes com trauma de pelve decorrente de trauma contuso.
MÉTODOS: estudo retrospectivo e observacional com dados de registro de trauma obtidos durante cinco anos. O óbito foi a variável de estratificação das análises. Para verificar se as variáveis de interesse tinham associação com o óbito, foi realizado o teste t de Student e teste do Qui-quadrado (ou Fisher) e Wilcoxon-Mann Whitney . Os fatores independentemente associados ao óbito foram analisados por modelo logístico binomial, e com base nos testes de Wald e por Critérios de Informação de Akaike (AIC) e Bayesiano de Schwarz (BIC).
RESULTADOS: dos 28 pacientes com fratura de pelve por trauma contuso, 23 (82,1%) eram homens; 16 (57,1%) com média de idade de 38,8 anos (desvio padrão 17,3). Houve 98 lesões ou fraturas nos 28 pacientes. Quanto à gravidade, sete pacientes tiveram Injury Severity Score superior a 24 (25%). O tempo de internação hospitalar médio foi 26,8 dias (DP=22,4). Quinze pacientes (53,6%) tiveram internação em UTI. A incidência de óbito foi de 21,4%. A análise mostrou que idade igual ou maior do que 50 anos e presença de coagulopatia foram fatores independentemente associados ao óbito.
CONCLUSÃO: as fraturas de pelve podem ter mortalidade elevada. Neste estudo a mortalidade foi superior ao que é descrito na literatura. A idade acima de 50 anos e a coagulopatia se revelaram fatores de risco nessa população.


Palavras-chave: Ferimentos e Lesões. Pelve. Traumatismo Múltiplo. Cirurgia Geral.

3 - Avaliação do tratamento da sepse com glutamina via enteral em ratos

Evaluation of sepsis treatment with enteral glutamine in rats

Isadora Moscardini Fabiani; Sérgio Luiz Rocha, TCBC-PR

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):231-237

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OBJETIVO: analisar a influência da glutamina nas alterações morfo-histológicas observadas em íleo, pulmão, rim e fígado de ratos Wistar submetidos à sepse.
MÉTODOS: a sepse foi induzida por meio de ligadura e punção do ceco. Os animais foram divididos em dois grupos: grupo A, controle, com cinco animais, e grupo B, experimento, com dez animais que utilizaram previamente glutamina por dois dias por via enteral. Na análise histológica, classificou-se as lesões de acordo com um escore cujo valor atribuído dependia da gravidade da lesão e do órgão acometido. A somatória dos valores atribuídos a cada animal resultou em sua nota final. No íleo, avaliaram-se as vilosidades; no fígado, esteatose microgoticular; no pulmão, pneumonite intersticial; e no rim, vacuolização dos túbulos contorcidos proximais.
RESULTADOS: a lise celular e a destruição das vilosidades no íleo do grupo controle foram mais intensas em relação aos animais que receberam glutamina. No rim, verificou-se vacuolização mais acentuada dos túbulos contorcidos proximais no grupo controle em relação aos animais que receberam glutamina. Tanto a esteatose microgoticular como a pneumonite intersticial mostraram-se semelhantes em ambos os grupos.
CONCLUSÃO: o uso de glutamina via enteral previamente à sepse na dose de 0,5 g/kg/dia preservou de maneira significativa a estrutura histológica do intestino delgado e os rins em ratos.


Palavras-chave: Sepse. Glutamina. Peritonite. Ratos.

4 - Herniorrafia inguinal convencional com tela autofixante versus videolaparoscópica totalmente extraperitoneal com tela de polipropileno: resultados no pós-operatório precoce

Conventional inguinal hernia repair with self-fixating mesh versus totally extraperitoneal laparoscopic repair with polypropylene mesh: early postoperative results

José Antonio Cunha-e-Silva; Flávio Malcher Martins de Oliveira, TCBC-RJ; Antonio Felipe Santa Maria Coquillard Ayres, TCBC-RJ; Antonio Carlos Ribeiro Garrido Iglesias, TCBC-RJ

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):238-244

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OBJETIVO: avaliar o resultado no pós-operatório precoce do tratamento da hérnia inguinal pela técnica convencional com tela autofixante versus videolaparoscópica totalmente extraperitoneal com uso da tela de polipropileno. Foram comparados, sobretudo, dor, tempo cirúrgico e complicações precoces.
MÉTODOS: estudo prospectivo, de série de casos, realizado na Clínica Cirúrgica A, do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), no qual 80 casos consecutivos foram estudados. Apenas pacientes com hérnia inguinal unilateral, não recidivada e operadas em caráter eletivo foram incluídas no estudo. Os pacientes foram divididos em dois grupos, de 40 pacientes cada; grupo AF (técnica convencional com uso de tela autofixante) e grupo VL (técnica videolaparoscópica com uso de tela de polipropileno). Os pacientes foram acompanhados até o 45o dia de pós-operatório.
RESULTADOS: dos 80 pacientes operados no estudo, 98,7% pertenciam ao sexo masculino e a maioria era portadora de hérnia inguinal direita indireta (Nyhus II). Não houve diferença entre os grupos estudados no que diz respeito à dor e tempo operatório. No entanto, ocorreram mais complicações (seroma e hematoma) no grupo da cirurgia aberta.
CONCLUSÃO: as duas operações realizadas se mostraram factíveis, seguras e estão relacionadas à mínima dor pós operatório e a um baixo tempo cirúrgico.


Palavras-chave: Hérnia Inguinal. Laparoscopia. Escala Visual Analógica. Herniorrafia.

5 - Análise retrospectiva de 103 casos de lesão diafragmática operados em um centro de trauma

Retrospective analysis of 103 diaphragmatic injuries in patients operated in a trauma center

Lucas Figueiredo Cardoso; Marcus Vinícius Capanema Gonçalves; Carla Jorge Machado; Vivian Resende, TCBC-MG; Michael Pereira Fernandes; Mario Pastore-Neto; Renato Gomes Campanati; Guilherme Victor Oliveira Pimenta Reis

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):245-251

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OBJETIVO: analisar os fatores associados ao óbito em pacientes com lesão diafragmática atendidos em hospital de referência para o trauma.
MÉTODOS: estudo retrospectivo de pacientes com lesão do diafragma atendidos no Hospital Risoleta Tolentino Neves da Universidade Federal de Minas Gerais entre janeiro de 2010 e dezembro de 2014. Foi utilizado o Banco de Registros de Trauma Collector® (MD, USA). Utilizaram-se dados demográficos, localização da lesão diafragmática, lesões associadas de outros órgãos, número de lesões associadas, tipo de abordagem terapêutica, complicações e o escore de gravidade Injury Severity Score (ISS). A variável de interesse foi a ocorrência de óbito.
RESULTADOS: foram identificados 103 pacientes e a incidência de óbito foi de 16,5%. Lesões penetrantes ocorreram em 98% dos pacientes. Em análise univariada a mortalidade foi maior em pacientes cujo tratamento foi não operatório, sem rafia (p=0,023), e menor em pacientes submetidos à rafia diafragmática (p<0,001). O aumento do número de lesões associou-se ao aumento da incidência de óbitos (p=0,048). Em análise multivariada, ISS>24 (OR=4,0; p=0,029) e rafia do diafragma (OR=0,76; p<0,001) associaram-se à mortalidade.
CONCLUSÃO: os achados indicam que a ruptura traumática do diafragma raramente se apresenta como lesão isolada, estando associada frequentemente à lesão de outros órgãos, especialmente fígado e vísceras ocas. Pode-se afirmar que a mortalidade foi mais elevada entre aqueles com ISS>24.


Palavras-chave: Diafragma. Ferimentos e Lesões. Morte.

6 - Prevalência do câncer de vesícula biliar em pacientes submetidos à colecistectomia: experiência do Hospital de Clínicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

Prevalence of gallbladder cancer In patients submitted to cholecystectomy: experience of the University Hospital, Faculty of Medical Sciences, State University of Campinas – UNICAMP

Márcio Apodaca-Rueda; Everton Cazzo; Rita Barbosa De-Carvalho; Elinton Adami Chaim, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):252-256

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OBJETIVO: estudar a prevalência do câncer de vesícula biliar em pacientes submetidos à colecistectomia no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas.
MÉTODOS: estudo de prevalência retrospectivo a partir da análise de laudos de espécimes histopatológicos de pacientes submetidos à colecistectomia, no período de janeiro de 2010 a maio de 2015.
RESULTADOS: foram analisados 893 laudos de pacientes submetidos à colecistectomia, dos quais 144 de urgência e 749 eletivas (16,2% e 83,8%, respectivamente). Segundo o sexo, 72,8% correspondiam ao feminino e 27,2%, ao masculino. Em 12 pacientes (1,3%) foi evidenciado o diagnóstico de adenocarcinoma de vesícula biliar e, em um (0,1%), o diagnóstico de linfoma não Hodgkin. Dos 13 pacientes com neoplasia, sete (53,8%) apresentaram colecistolitíase associada. Em dois doentes (15,3%) foi constatado pólipo de vesícula biliar. Sete (53,8%) doentes foram operados com a hipótese diagnóstica de neoplasia de vesícula biliar.
CONCLUSÃO: a prevalência do adenocarcinoma de vesícula biliar no presente estudo foi semelhante à dos estudos ocidentais e o principal fator de risco foi a colecistolitíase, seguido pela presença de pólipos de vesícula biliar.


Palavras-chave: Neoplasias da Vesícula Biliar. Colecistolitíase. Cálculos Biliares. Prevalência.

7 - Preditores de mortalidade em pacientes submetidos à nefrectomia por carcinoma de células renais não metastático em um centro de referência no Nordeste Brasileiro

Predictors of mortality in patients submitted to nephrectomy for non-metastatic renal cell carcinoma at a referral center in Northeastern Brazil

Marcus Vinicius Silva Araújo Gurgel, ACBC-CE; Josualdo Alves Júnior; Guilherme Bruno Fontes Vieira; Felipe de Castro Dantas Sales; Marcos Venício Alves Lima

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):257-262

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OBJETIVO: identificar fatores prognósticos envolvidos no carcinoma de células renais não metastático.
MÉTODOS: estudo tipo coorte retrospectivo, utilizando dados obtidos em revisão de prontuários de pacientes portadores de carcinoma de células renais, submetidos à nefrectomia radical ou parcial, no Instituto do Câncer do Ceará.
RESULTADOS: foram estudados 117 pacientes com média de idade de 59,14 anos e mediana de 59 anos. Não houve predominância de sexo, o rim direito foi o mais acometido (64%) e o tipo histopatológico mais comum foi o carcinoma de células claras (77%). Predominou o estádio pT1 e o grau GII. Das variáveis analisadas, apenas o estadiamento patológico (pT) e o acometimento linfonodal revelaram-se preditoras de sobrevida global.
CONCLUSÃO: o estadiamento patológico (pT) e o acometimento de linfonodos regionais são fatores prognósticos importantes em pacientes portadores de carcinoma de células renais não metastáticos submetidos a nefrectomia.


Palavras-chave: Neoplasias Renais. Nefrectomia. Carcinoma de Células Renais. Sobrevida. Prognóstico.

8 - Paratireoidectomia na doença renal crônica: efeitos no ganho de peso e na melhora da qualidade de vida

Parathyroidectomy in chronic kidney disease: effects on weight gain and on quality of life improvement

Henyse Gomes Valente-Da-Silva; Maria Cristina Araújo Maya, TCBC-RJ; Annie Seixas Moreira

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):263-269

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OBJETIVO: avaliar o benefício de paratireoidectomia em pacientes submetidos à hemodiálise, em relação ao estado nutricional e bioquímico, composição corporal e a qualidade de vida.
MÉTODOS: estudo longitudinal envolvendo 28 adultos em programa de hemodiálise, com hiperparatireoidismo secundário grave, avaliados antes e um ano após a cirurgia. Critérios de inclusão: níveis de paratormônio dez vezes superior ao valor de referencia e doença renal crônica em programa de hemodiálise. O índice de massa corporal foi utilizado para classificação do estado nutricional. A bioimpedância elétrica para avaliação da composição corporal. A análise bioquímica incluiu dosagem de lipídios e marcadores do metabolismo ósseo. A qualidade de vida foi avaliada pelo questionário SF36 (Short Form Health Survey). Todos os pacientes foram submetidos à paratireoidectomia total com implante em antebraço.
RESULTADOS: houve ganho significativo de peso corporal (61,7 vs 66,0 kg; p<0,001), da massa celular corporal (22,0 vs 24,5 kg/m2; p=0,05) e da qualidade de vida (p=0,001) após a cirurgia. Com relação ao metabolismo ósseo, PTH intacto, cálcio, fósforo e fosfatase alcalina, se estabilizaram e houve melhora em parâmetros bioquímicos, tais como albumina e hemoglobina.
CONCLUSÃO: a paratireoidectomia melhora a sobrevida em pacientes de hemodiálise e está associada a aumento de peso, ganho de massa óssea e melhoria na qualidade de vida.


Palavras-chave: Paratireoidectomia. Insuficiência Renal Crônica. Sobrevida. Qualidade de Vida. Avaliação Nutricional.

9 - Cuidados perioperatórios em cirurgia bariátrica no contexto do projeto ACERTO: realidade e o imaginário de cirurgiões em um hospital de Cuiabá

Perioperative care in bariatric surgery in the context of the ACERTO project: reality versus surgeons assumptions in a Cuiabá hospital

Jacqueline Jéssica De-Marchi, ACBC-MT; Mardem Machado De-Souza, TCBC-MT; Alberto Bicudo Salomão, TCBC-MT; José Eduardo de Aguilar Nascimento, TCBC-MT; Anyelle Almada Selleti; Erik de-Albuquerque; Katia Bezerra Veloso Mendes

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):270-277

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OBJETIVO: verificar o grau de conhecimento entre cirurgiões, sobre as recomendações do Projeto ACERTO em cirurgia bariátrica, correlacionando o “imaginário”, sobre suas prescrições, e a “realidade”, através de dados de prontuários de seus pacientes.
MÉTODOS: estudo observacional longitudinal prospectivo comparativo entre o “imaginário” dos cirurgiões, obtido através de respostas de questionário sobre condutas recomendadas pelo ACERTO e a análise de dados clínicos “reais” encontrados em prontuários de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Foram analisados: jejum pré-operatório, realimentação precoce, hidratação venosa perioperatória, antibioticoprofilaxia, uso de sondas e drenos, analgesia e profilaxia de náuseas e vômitos. Foram confrontadas as respostas de sete cirurgiões e dados de 200 prontuários médicos.
RESULTADOS: todos os cirurgiões entrevistados conheciam o Projeto ACERTO. Cinco (72%) responderam que seguiam o protocolo completamente. O tempo mediano de jejum pré-operatório foi maior do que o relatado pelos cirurgiões (p<0,05). Os pacientes receberam realimentação precoce em 96,5% dos casos. O volume mediano de fluidos prescritos nas primeiras 24 horas foi 4000ml, condizente com a entrevista. Em relação à antibioticoprofilaxia, uso de sondas e drenos, analgesia e prevenção de náuseas e vômitos, não houve diferença entre o respondido e o constatado nos prontuários.
CONCLUSÃO: o Projeto ACERTO era bem praticado entre os cirurgiões pesquisados, havendo boa correlação entre o “imaginário” e “realidade” dos cuidados perioperatórios prescritos em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.


Palavras-chave: Cirurgia Bariátrica. Cuidados Pós-Operatórios. Cuidados Intraoperatórios. Medicina Baseada em Evidências.

10 - Hemorroidopexia por grampeamento parcial: aspectos clínicos e impacto sob a fisiologia anorretal

Partial stapled hemorrhoidopexy: clinical aspects and impact on anorectal physiology

Marllus Braga Soares, TCBC-RJ; Marcos Bettini Pitombo, TCBC-RJ; Francisco Lopes Paulo; Paulo Cezar de Castro Júnior; Júlia Resende Schlinz, AsCBC-RJ; Annibal Amorim Júnior; Karin Guterres Lohmann Hamada , ACBC-RJ

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):278-283

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OBJETIVO: avaliar o impacto na fisiologia anorretal da hemorroidopexia por grampeamento parcial, das complicações relacionadas à técnica cirúrgica, dor e sangramento pós-operatório e recidiva de doença hemorroidária após um ano de cirurgia.
MÉTODOS: estudo prospectivo, descritivo, em pacientes consecutivos, portadores de doença hemorroidária do tipo mista ou interna, com componente interno classificado como grau III ou IV, submetidos à hemorroidopexia por grampeamento parcial.
RESULTADOS: foram estudados 17 pacientes, dos quais 82% apresentavam hemorroidas internas grau III, e 18% grau IV. A média de tempo operatório foi de 09:09 minutos (07:03 a 12:13 minutos). A mediana de dor no pós-operatório imediato avaliada pela escala numérica de dor foi de 1 (0 a 7). A mediana de retorno ao trabalho foi de nove dias (4 a 19). Nenhum paciente apresentou estenose de canal anal e 76% ficaram satisfeitos com a cirurgia com 90 dias de pós-operatório. Comparando-se os dados manométricos pré-operatórios e após 90 dias, nenhuma das variáveis avaliadas apresentou diferença com significância estatística. Não houve recidiva da doença hemorroidária com um ano de acompanhamento pós-operatório.
CONCLUSÃO: a hemorroidopexia por grampeamento parcial não demonstrou impacto na fisiologia anorretal, apresentando baixos níveis de complicações e de dor pós-operatória, e sem recidivas após um ano de acompanhamento.


Palavras-chave: Hemorroidas. Hemorroidectomia. Grampeadores Cirúrgicos. Grampeamento Cirúrgico.

11 - Incidência e fatores de complicações pulmonares pós-operatórias em pacientes submetidos à cirurgias de tórax e abdome

Incidence and risk factors for postoperative pulmonary complications in patients undergoing thoracic and abdominal surgeries

Ana Carolina de Ávila; Romero Fenili

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):284-292

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OBJETIVOS: avaliar a incidência de complicações pulmonares pós-operatórias em pacientes submetidos à cirurgias de tórax e abdome e os principais fatores envolvidos.
MÉTODOS: estudo analítico observacional prospectivo dos pacientes submetidos à cirurgias de tórax e abdome no Hospital Santo Antônio de Blumenau, SC. Os dados foram coletados dos prontuários eletrônicos e através de entrevistas estruturadas com os pacientes. Foram avaliados dados relativos às características dos pacientes e da cirurgia. A variável de desfecho foi a ocorrência de complicações pulmonares pós-operatórias.
RESULTADOS: foram estudados 314 pacientes, 65,6% do sexo feminino, com média de idade de 46,61 anos, 51,6% classificados como ASA II. Cirurgias por vídeo foram realizadas em 55,7% dos casos, abdominais em 85,4% e 61,5% dos procedimentos foram classificados como potencialmente contaminadas e de porte médio. O tempo médio de cirurgia foi de 126,65 minutos e os pacientes ficaram internados em média por 2,59 dias. A incidência de complicações pulmonares pós-operatórias foi de 11,5%. As complicações mais comuns foram a insuficiência respiratória, o derrame pleural e a pneumonia. Os fatores de risco mais importantes para estas complicações foram diabetes, internação hospitalar por mais de cinco dias e presença de doença pulmonar prévia. Os pacientes submetidos às cirurgias por vídeo apresentaram menor incidência de complicações.
CONCLUSÃO: as complicações pulmonares pós-operatórias são frequentes e os fatores associados a maior risco foram diabetes, internação prolongada e presença de doença pulmonar prévia.


Palavras-chave: Complicações Pós-Operatórias. Doenças Respiratórias. Fatores de Risco.

Artigo de Revisão

12 - Estenose de carótida extracraniana: revisão baseada em evidências

Extracranial carotid stenosis: evidence based review

Carolina Dutra Queiroz Flumignan; Ronald Luiz Gomes Flumignan; Túlio Pinho Navarro

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):293-301

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A doença vascular cerebral extracraniana é uma das mais importantes causas de morte e de incapacidade em todo o mundo e seu tratamento se baseia em estratégias clínica e cirúrgica, sendo que esta última pode ser feita pelas técnicas convencional ou endovascular. O manejo da estenose da bifurcação carotídea visa principalmente a prevenir o acidente vascular cerebral e tem sido objeto de extensa investigação. O papel do tratamento clínico tem sido re-enfatizado, mas a endarterectomia de carótida permanece como o tratamento de primeira linha para pacientes sintomáticos com estenose de 50% a 99% e, para pacientes assintomáticos, com estenose de 60% a 99%. A angioplastia com stent é reservada para pacientes sintomáticos, com estenose de 50% a 99% e com risco elevado para a cirurgia aberta, por motivos anatômicos ou clínicos. Atualmente, o procedimento endovascular não é recomendado para pacientes assintomáticos que tenham condições de serem submetidos ao tratamento cirúrgico convencional. O Brasil apresenta tendência semelhante à de outros países da América do Norte e Europa, observando a manutenção da endarterectomia como a principal indicação para o tratamento da estenose carotídea e reservando o procedimento endovascular para casos em que há contraindicações para a primeira intervenção. Todavia, temos de melhorar os nossos resultados, reduzindo as complicações, notadamente a taxa de mortalidade geral.


Palavras-chave: Estenose das Carótidas. Doenças das Artérias Carótidas. Endarterectomia das Carótidas. Angioplastia com Balão. Stents.

Ensino

13 - Modelo de programa de treinamento em cirurgia robótica e resultados iniciais

Model of a training program in robotic surgery and its initial results

Fernando Athayde Veloso Madureira, TCBC-RJ; José Luís Souza Varela, TCBC-RJ; Delta Madureira Filho, ECBC-RJ; Luis Alfredo Vieira D`Almeida; Fábio Athayde Veloso Madureira, TCBC-RJ; Alexandre Miranda Duarte, TCBC-RJ; Otávio Pires Vaz; José Reinan Ramos, TCBC-RJ

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):302-307

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OBJETIVO: descrever a implantação de um programa de treinamento em cirurgia robótica e apontar as operações em Cirurgia Geral que podem ser feitas com vantagens utilizando a plataforma robótica.
MÉTODOS: estudo prospectivo do Grupo de Cirurgia Robótica em Cirurgia Geral e Colorretal do Hospital Samaritano (Rio de Janeiro, Brasil), de outubro de 2012 a dezembro 2015. São descritas as etapas do treinamento e particularidades.
RESULTADOS: no período do estudo foram realizadas 293 operações robóticas em Cirurgia Geral: 108 cirurgias para obesidade mórbida, 59 colorretais, 55 cirurgias na área da transição esôfago-gástrica, 16 colecistectomias, 27 hérnias da parede abdominal, 13 hernioplastias inguinais, duas gastrectomias com linfadenectomia à D2, uma vagotomia, duas hernioplastias diafragmáticas, quatro cirurgias hepáticas, duas adrenalectomias, duas esplenectomias, uma pancreatectomia, uma anastomose biliodigestiva. O índice de complicações foi de 2,4% sem complicações maiores.
CONCLUSÃO: o Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Samaritano foi implementado de forma segura e com resultados iniciais acima da literatura. Parece haver benefício em se utilizar a plataforma robótica nos super obesos, nas reoperações de cirurgia de obesidade e de hérnias de hiato, hérnias de hiato gigantes e para-esofágicas, hérnias ventrais com múltiplos defeitos e ressecções baixas de reto.


Palavras-chave: Procedimentos Cirúrgicos Robóticos. Capacitação em Serviço. Curva de Aprendizado. Laparoscopia. Cirurgia Geral.

Nota Técnica

14 - Resultados preliminares do tratamento de insuficiência venosa grave com termoablação da veia safena magna por técnica endovascular com laser de diodo 980nm desenvolvido no Brasil, associado à escleroterapia com polidocanol

Preliminary results of severe venous insufficiency treatment with thermal ablation of the great saphenous vein by endovascular technique with laser diode 980nm developed in Brazil, associated with sclerotherapy with polidocanol

Matheus Bertanha; Marcone Lima Sobreira; Paula Angelelli Bueno Camargo; Rafael Elias Farres Pimenta; Jamil Victor Oliveira Mariúba; Regina Moura; Vanderlei Salvador Bagnato; Winston Bonetti Yoshida

Rev. Col. Bras. Cir. 2017;44(3):308-313

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A termoablação endovascular das veias safenas insuficientes com laser é descrita como uma técnica menos invasiva, com resultados semelhantes à cirurgia convencional, porém, com efeitos adversos menos frequentes. A técnica de escleroterapia com espuma de polidocanol ecoguiada vem sendo empregada com a mesma finalidade. A combinação de técnicas pode representar uma alternativa para pacientes mais graves, como os portadores de úlcera varicosa. Um equipamento de laser (denominado VELAS) foi desenvolvido no Centro de Pesquisas em Ótica e Fotônica da USP-São Carlos em convênio com a FMB-UNESP para termoablação endoluminal da veia safena insuficiente. Neste estudo apresentamos os resultados preliminares do uso do aparelho de laser VELAS (diodo MMO 980nm) na termoablação endovascular de veias safenas insuficientes, em portadores de úlcera venosa crônica, associado à complementação com espuma de polidocanol para o tratamento de varicosidades, após uma semana. Os desfechos analisados foram o tempo de cicatrização da úlcera venosa, oclusão das veias tratadas e eventos adversos relacionados aos tratamentos. Foram incluídos 12 pacientes portadores de insuficiência de veia safena e úlcera venosa crônica que aceitaram participar do projeto. Todos foram tratados em regime ambulatorial, com anestesia local e termoablação da veia safena insuficiente (VELAS). Após uma semana da cirurgia, as varicosidades foram esclerosadas com polidocanol espuma (técnica de Tessari). O equipamento laser VELAS nacional apresentou fácil manuseio, oclusão venosa total em 83,3% dos pacientes (em sete dias) e a associação das técnicas foi responsável por uma taxa de cicatrização de feridas de 83,3%, sem ocorrência de eventos adversos.


Palavras-chave: Terapia a Laser. Fotocoagulação a Laser. Varizes. Úlcera Varicosa. Insuficiência Venosa.

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